Às vezes, procuramos alguém porque precisamos de uma resposta. Outras vezes, porque ainda nem conseguimos formular direito a pergunta. Existe uma ideia, uma oportunidade, um problema ou um projeto diante de nós, mas alguma coisa ainda precisa ser compreendida antes de seguir.

Eu sempre gostei dessas conversas.

Ao longo dos anos, tornou-se comum amigos, clientes e pessoas próximas me procurarem para falar sobre alguma coisa que estavam tentando resolver. Podia ser um negócio que alguém queria abrir, uma decisão profissional, uma questão jurídica, um investimento, um projeto que precisava sair do papel ou uma situação em que a pessoa simplesmente não sabia por onde começar.

Quase nunca a minha participação terminava na resposta à pergunta que me fizeram.

Eu queria entender o contexto. Fazia perguntas, pesquisava, pensava em possibilidades, lembrava de alguém que poderia contribuir, indicava um profissional, procurava um fornecedor. Se havia um projeto acontecendo, eu queria vê-lo acontecer.

Muitas vezes fiz isso sem cobrar e sem perceber que poderia existir ali um trabalho. Eu me envolvia porque gostava de resolver, construir e acompanhar uma ideia ganhando forma. E cada situação me colocava em contato com alguma coisa que eu ainda não conhecia.

Conheci setores diferentes, operações, profissionais e fornecedores. Precisei estudar assuntos que estavam fora do meu universo. Vi soluções funcionarem e outras mostrarem rapidamente seus limites. Enquanto contribuía com projetos de outras pessoas, ampliava também o meu próprio repertório.

Minha trajetória profissional aconteceu em paralelo.

O trabalho veio cedo. O empreendedorismo também. Antes mesmo de conseguir nomear exatamente o que significava empreender, eu já tinha essa inclinação para criar, vender, negociar, encontrar oportunidades e fazer alguma coisa acontecer.

Depois veio o Direito e, mais tarde, o aprofundamento em Direito Tributário. A formação jurídica acrescentou estrutura à minha maneira de pensar: responsabilidade, consequência, risco, interpretação.

Enquanto isso, os negócios continuavam acontecendo. Vendas, negociação, clientes, fornecedores, contratos, dinheiro, gestão, operação e execução de projetos faziam parte da minha rotina. Com o tempo, essas experiências deixaram de pertencer a compartimentos separados.

Também houve decisões ruins. Algumas me custaram caro. Houve projetos que precisaram ser revistos, momentos de reorganização e situações em que começar novamente foi a única alternativa possível.

Existe uma diferença importante entre conhecer uma possibilidade intelectualmente e já ter precisado lidar com suas consequências na vida real.

Foi nesse percurso que desenvolvi uma maneira particular de trabalhar: entrar em uma situação, entender o que realmente está acontecendo, conectar informações que parecem separadas e encontrar caminhos para fazê-la avançar.

Minha fé em Deus é um princípio basilar da maneira como procuro conduzir a minha vida. E há uma ideia cristã que passou a fazer cada vez mais sentido quando comecei a olhar para tudo isso: a responsabilidade sobre aquilo que nos é confiado.

Em 1 Pedro 4:10, somos orientados a colocar a serviço dos outros os dons que recebemos. Na parábola dos talentos, em Mateus 25, encontro a mesma provocação sobre aquilo que recebemos e o que fazemos com isso.

Essa pergunta passou a ter, para mim, uma dimensão muito concreta.

O que fazer com o conhecimento que acumulei, com as experiências que vivi, com as pessoas que conheci, com os erros que me ensinaram, com o acesso que construí e com essa disposição que sempre tive de entrar em uma questão e ajudar a fazê-la avançar?

O Private Advisory nasceu como uma resposta prática a essa pergunta.

Não como uma tentativa de reunir todas as minhas atividades em uma nova profissão, mas como uma forma de disponibilizar essa capacidade de análise, articulação e realização para situações em que ela possa ser útil.

E isso pode acontecer de maneiras diferentes.

Consulta

Às vezes, existe uma questão específica e o que a pessoa precisa é conversar com alguém que consiga entrar naquele assunto com ela.

É para isso que existe a Consulta.

Durante 60 minutos, partimos de uma situação concreta. Eu escuto, pergunto, procuro entender o que está em jogo, identifico aspectos que talvez ainda não tenham sido considerados e compartilho minha leitura a partir do conhecimento e da experiência que tenho.

Pode ser uma decisão profissional, um negócio, uma oportunidade, um projeto, uma mudança ou simplesmente alguma coisa que precisa ser organizada antes do próximo passo.

A consulta pode terminar ali.

Há situações em que uma conversa profunda e um olhar externo são suficientes para que a pessoa enxergue melhor aquilo que tem diante de si.

Método C.L.A.R.O.

Outras decisões exigem mais profundidade.

Elas podem envolver dinheiro, tempo, risco, outras pessoas, consequências profissionais, expectativas e alternativas que ainda não foram suficientemente exploradas.

Nesses casos, aplicamos o método C.L.A.R.O.: Cenário, Lugar de destino, Alternativas, Rota e Organização.

Começamos entendendo o cenário como ele realmente é. Depois, definimos aquilo que a pessoa pretende alcançar.

Essa etapa é fundamental porque uma decisão só pode ser avaliada em relação ao lugar para o qual se pretende ir.

A partir daí, exploramos alternativas, suas consequências e exigências. Construímos uma rota e organizamos o que será necessário para percorrê-la.

Meu papel não é decidir pela pessoa.

É aprofundar a questão até que ela consiga compreender o suficiente para fazer a própria escolha, sabendo melhor o que está escolhendo, por que está escolhendo e o que aquela decisão exigirá.

Private Project

Há um momento em que a decisão já foi tomada e surge outro desafio: executar.

Um projeto começa a depender de profissionais, fornecedores, orçamentos, reuniões, documentos, prazos, decisões intermediárias e acompanhamento. Às vezes, a pessoa sabe exatamente o que quer fazer, mas precisa de alguém que ajude a transformar direção em movimento.

É nesse espaço que entra o Private Project.

Aqui posso passar a fazer parte da construção da solução.

O escopo é definido de acordo com cada projeto. Posso pesquisar e selecionar profissionais, conectar pessoas da minha rede, buscar fornecedores, organizar etapas, participar de reuniões, acompanhar entregas, cobrar andamento, ajudar a resolver impasses e coordenar diferentes frentes.

Em algumas situações, o projeto também pode encontrar competências que já fazem parte da minha atuação profissional. Sou advogada, empresária e atuo com mobiliário sob medida. Quando houver essa convergência, uma dessas estruturas pode integrar a solução, sempre com funções e responsabilidades claramente definidas.

Em outras situações, minha contribuição será justamente reconhecer que determinada parte exige um especialista e encontrar a pessoa adequada para ocupá-la.

Foi também na prática que percebi o quanto direção pode interferir na execução.

Existem pessoas extremamente capazes, com boas ideias e recursos para realizá-las, que funcionam melhor quando existe alguém de fora ajudando a estabelecer ordem, sequência e continuidade.

O que precisa acontecer primeiro? Quem ficou responsável? Qual é o prazo? O que está impedindo o próximo passo? Aquilo que estamos fazendo ainda conduz ao resultado que definimos?

Em determinados projetos, parte do meu trabalho é sustentar essa direção.

Um lugar que precisava de nome

Talvez uma das partes mais difíceis de criar o Private Advisory tenha sido perceber que eu não precisava encaixar essa atuação em uma única área do conhecimento.

Há situações em que consigo contribuir porque sou advogada. Em outras, porque sou empresária. Algumas exigem negociação. Outras, organização, pesquisa, capacidade de articulação ou acesso a pessoas que sabem fazer aquilo que o projeto precisa.

O ponto de partida, portanto, não é uma lista fechada de assuntos sobre os quais posso ser consultada.

É a situação que a pessoa coloca diante de mim.

Primeiro preciso entender o que ela está tentando conseguir. Só então posso dizer se consigo contribuir, qual deve ser o meu papel e até onde faz sentido a minha participação.

Isso também significa reconhecer limites. Nem toda questão é para mim. Nem todo projeto precisa de acompanhamento. E alguns problemas pertencem claramente a profissionais com competências específicas.

O Private Advisory dá estrutura a uma forma de trabalhar que foi sendo construída durante muitos anos.

Agora ela tem um lugar próprio.

Um lugar para pensar uma questão quando uma conversa pode ser suficiente. Para aprofundar uma decisão quando ainda falta clareza. E para entrar na execução quando existe um projeto que precisa de direção, articulação e acompanhamento.

Foi para ocupar esse lugar que criei o Private Advisory.